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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O conto do Amaçi





Os astros estavam propícios, e, Preto Velho já havia determinado a colheita das ervas. “- Suncês, vão utilizar ervas solares, pode ir no mato e colher em número impar, maracujá doce, hortelã e alecrim de horta”!



Não fosse a dica, o Velho ainda completou: “- Os omi é que devem colher as ervas, e depois de colhidas elas devem ser maceradas na sombra para ficar expostas a lua nova ou crescente de um a três dias, viu misifio”!



Na data escolhida a turma do terreiro foi para a mata para a execução anual do amaçi. Que dia lindo, tudo estava dando certo. O médium chefe apesar de ser novo, possuía um caráter moral elevado e antes da saída já havia asseverado aos médiuns que se portassem com respeito quando da presença no sítio sagrado.



O trabalho teve seu início no horário de Xangô, o horário era propício para o amaçi com ervas de Oxalá, pois o horário estava sob esta influência. Iniciado os trabalhos, começou uma chuva em cima do local escolhido (uma choupana de pau a pique no meio da mata). As energias estavam que estavam, e, todo mundo se comportando bem.



Uma vez mediunizado com o Preto Velho deu-se inicio ao amaçi, a primeira lavada foi com a mão direta do médium, para que as coisas do passado fossem ajustadas, depois com a mão esquerda para que o presente também fosse ajustado.



Tudo corria bem, mas um dos médiuns questionou ao Preto Velho se ele e seu médium tinham ordens e direitos de trabalho, para fazer o amaçi em sua cabeça. O velhinho com uma risada bem faceira, ficou um minuto em silêncio e depois respondeu com a seguinte pergunta:

“-Sunçê, cortô o cabelo antes de vir para o amaçi, misifio?



O Médium respondeu de pronto: “Sim, meu Pai Velho, tenho o costume a anos de cortar o cabelo no mesmo salão e com a mesma pessoa. Sempre corto o cabelo com o Alfredo, pois não deixo mulher botar a mão na minha cabeça”.



Preto velho: “Sunçê tem certeza que o Alfredo é omi de verdade? Sunçê conhece a muié dele?



Médium: “Não, não conheço, na verdade nunca vi o Alfredo com mulher”.



Preto Velho:”E sunçê me conhece e conhece meu cavalo?



Médium: “Claro, conheço vocês dois há anos”.



Preto Velho: “Se é assim não precisa passar pelo amaçi, leva um pouco destas ervas já maceradas e pede pro Alfredo lavar sua cabeça. Quem sabe ele pode fazer alguma coisa pra Sunçê, mió do que nós, já que ele mete a mão na sua coroa todo mês pra cortar seu cabelo, num é?



Médium, já envergonhado: “Me desculpa meu velho, acho que precipitei, peço sua compreensão e peço para que o Senhor faça o rito de amaçi, por favor.



Preto Velho em silêncio lavou a cabeça do Médium e no final pronunciou a seguinte frase:



“Lavar a cabeça é fácil, isto qualquer um fais, mas lavá o cérebro é que é o difícil e isto eu tento fazer”.



Aratanan de Aracruz


Foto - Filha de Zélio de Morais mediunizada e efetivando o rito de amaçi.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Meu direito de ser livre!


Nascemos sobre a alcunha de filho de fulano ou sicrano. Em um primeiro momento temos uma carência premente em relação à vida, pois precisamos de alimento e proteção. Através da atividade de nossos pais ou de espíritos designados para este propósito, recebemos o amparo e o básico para que caminhemos.

Os anos passam e assumimos nossa responsabilidade pessoal, pois acabamos nos transformando em pais, tios, avós e etc. Tudo isto dentro de um sistema preexistente e imodificável - até que Deus queira o contrário. Vivemos uma caminhada predeterminada neste sentido, onde algumas leis naturais nos mostram como inarredavelmente imodificáveis.

Durante nossa caminhada, passamos por várias escolas ou cursos de vida, amamos, somos amados, brigamos, nos apaixonamos, falamos besteiras, pensamos, nos realizamos, sofremos, aprendemos e etc. Tudo isto dentro de uma lógica e legalidade cármica preestabelecida.

Caminhamos, caminhamos, e continuamos a caminhar para um só fim e uma só resolução de vida – “a morte”. Ninguém nesse mundo, pelo menos que eu conheça, conseguiu vencer esta lei que também é imutável. Por mais arrogante, forte, bonito ou feio que sejamos, esta lei ligada ao abandono do corpo físico também é imutável.

Pausa .....

Assim, com estas pequenas explanações, consigo pensar no quanto perdemos tempo com coisas fúteis e dispensáveis. Pense só; para que deixar de realizar sua história pessoal, se a mesma já está devidamente delimitada? Porque deixar de crescer e se desenvolver, por dificuldade de se livrar de velhos conceitos e prolixias? Porque deixar de cair no campo da experimentação pessoal, se a sua caminhada já está por bem delimitada? Porque não priorizar o bem, se ele sempre vence? Porque querer mostrar ao outro que ele é seu dependente, se outras pessoas com certeza dependem dele? Porque entregar sua vida nas mãos de alguém, se sua história pessoal, vai ter que acontecer de uma forma ou de outra? Porque acreditar na interferência alheia se a responsabilidade por sua existência é basicamente sua?

Pense nisso!

Aproveite estas reflexões, para dizer para você mesmo que você é livre e tem o direito de permanecer assim.

Sua mente é o divisor de águas do seu destino!

E para finalizar, digo que:

Gosto de te incentivar a ser diferente – Aratanan de Aracruz!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Você já se viu?


Quando uma pessoa recebe esta pergunta fica chocada, indignada, fere o seu ego. Não sei porquê. Que eu saiba ninguém nunca se viu. Pode ter visto seus braços, pernas, barriga, dentre outras partes.


Mas, suas costas, sua nuca e seu rosto, nunca. Talvez alguns contorcionistas possam ter conseguido ver alguma destas partes.


Através da minha cavidade ocular posso até conseguir ver a ponta do meu nariz, parte da sobrancelha. Ma s nunca consegui ver meu rosto. É isto mesmo, nunca consegui ver meu rosto!


Algumas pessoas afirmam categoricamente que já viram sim, através do espelho. Na verdade o que viram foi a luz que após ser refletida na sua face viaja até o espelho que reflete até a sua retina, é decodificada pelas células que a recebem e transmitem a mensagem até seu cérebro que está treinado para compreender que aquele conjunto de luzes representa o seu rosto. Uma longa viagem!


Que grande lição Deus nos dá. O que sabemos de nós mesmos não passa de reflexos.


Todo mundo ao meu redor me vê, mas eu não. Na verdade as pessoas nos vêm da forma que achamos ser a real. Criamos uma ilusão e ficamos presos a ela.


Acho que poderíamos nos entender melhor quando resolvemos abrir nossos corações e permitir ver o que os outros enxergam. Temos olhos, mas não vemos.


Quando perguntamos a alguma pessoa se já se viu, imediatamente se ofende, mas bastava responder: não, nunca me vi, mas fico muito grato pelo que você vê.


A Trindade


Paulo César Pinheiro
Composição: Paulo Cesar Pinheiro

Eu queria me olhar nos olhos simples e duro
Sem que me tivesse que olhar em espelhos
Como se olhasse normalmente nos olhos de outra pessoa
Por que eu sou a única outra pessoa que não pode me olhar nos olhos
Como se olhasse uma pedra ou um metal
Mas que pode olhar uma pedra ou um metal.
E se isso não lhe parecesse bastante anormal
A minha única outra pessoa poderia me olhar nos olhos se olhasse uma pedra ou um metal.


Eu queria me dizer coisas simples e duro
Sem que me tivesse que falar em voz alta
Como se falasse normalmente para outra pessoa
Por que eu sou a única outra pessoa que nada pode escutar de mim
Como se escutasse a mim ou a Deus.

Mas que pode escutar a mim ou a Deus
E se isso não lhe soasse bastante transcendental
A minha única outra pessoaPoderia me escutar se escutasse em mim, a mim ou a Deus.
E assim sucessivamente me ouvindo e olhando
A minha única outra pessoa
Seria minha única única pessoa...



Texto de autoria e colaboração de nosso irmão "Gato Preto".

terça-feira, 7 de julho de 2009

Sou Mais a Umbanda



Sou mais a Umbanda, não no sentido pejorativo, pois respeito todas as religiões existentes sobre a face da terra. Sou mais a Umbanda, pois sinto sua essência e sinto como a mesma me completa e me faz bem. Sou mais a Umbanda, pois adoro o amor das Crianças, a humildade dos Pais Velhos, a simplicidade dos Caboclos e as verdades dos Exus. Sou mais a Umbanda por que ela me ensina a perdoar (mesmo quando tenho dificuldade neste exercício), a ser diferente, a ver luz no fim do túnel e principalmente a ser feliz e vencer as dificuldades que me são impostas.

Sou mais a Umbanda, porque ela me faz ver o semelhante como um igual, além de me ensinar a discernir o certo do errado. Sou mais a Umbanda, porque adoro a luz e as verdades que ela transmite.

Sou mais a Umbanda, porque posso sentir que ela é boa para mim e para quem quer que seja, desde que esteja apto a abrir o coração e doar o que tem de bom. Sou mais a Umbanda, pois apesar de incompreendido às vezes, ela fala por mim e dá o exemplo que deve ser dado frente às falácias e malfazejos que permeiam meus semelhantes.

Sou mais a Umbanda, pois ela sabe dizer SIM ou NÃO de forma direta e sem subterfúgios. Sou mais a Umbanda, pois ela não mente e mostra a verdade no tempo certo e na hora certa. Sou mais a Umbanda, pois ela não aceita a bandeira da vaidade e do ego e sabiamente sabe aproveitar dos mais insanos para mostrar sua verdadeira face.

Sou mais a Umbanda, pois ela não precisa de dinheiro e fama para ser ou existir, ela é o que é, mostra sua cara em todos os lugares e acima de tudo ela é um conjunto das coisas emanadas por Deus.

Sou um Umbandista Feliz!
Imagem retirada da Web e usada de forma ilustrativa sem fins comerciais e/ou financeiros.