segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Avante Camaradas!


Muito engraçada esta tal religião. Outro dia estava conversando com uma atéia (sem religião) convicta e esta me dizia sobre sua capacidade de sair do corpo durante o sono e de viajar pelo plano astral com muita facilidade.

Conversávamos sobre a questão ligada a cremação do corpo pós-morte e das consequências do ato. Ela como não poderia ser diferente, me lançou uma série de impropérios me chamando de escravo da religião e incapacitado de pensar na realidade científica dos fatos espirituais.

Como quem dá luz a cego é Santa Luzia, preferi ficar calado e hoje faço minhas observações que são de cunho estritamente pessoal e que não representam por isso uma verdade absoluta.

Como pensar é minha atividade favorita, vos convido a fazer o seguinte raciocínio: imagine você o quão trabalhoso é a questão ligada à concepção, onde a energia masculina se encontra com a feminina, através de órgãos específicos para formar o que chamamos de corpo humano. Neste processo o espírito é devidamente alocado para que ocupe seu lugar junto à forma que está sendo gerada, aguardando o oportuno momento para que se manifeste nesta sublime expressão de Deus – o encontro do espírito com a matéria. Após o nascimento somos também direcionados para a tutela de nossos pais, os quais podem ser nossos guardiões ou até mesmo nossos algozes pelas afinidades que possuímos com eles. Na juventude manifestamos o que na verdade somos. Demonstramos nossas boas e más habilidades e não me venham com a história de que somos produto do meio, pois as pessoas respondem de forma diferente ao mesmo estimulo reencarnatório, proposto para elas. Nascer na pobreza ou na riqueza não garante a manifestação de uma moral ilibada. Na velhice (quando conseguimos chegar nela) somos os verdadeiros semeadores da parábola bíblica, colhemos o que plantamos durante toda nossa vida. Somos o reflexo de nós mesmos, recebemos nesta fase o que de uma forma direta ou indireta plantamos durante nossa caminhada. Nesta fase nosso corpo manifesta as intoxicações que acumulou na sua existência. E por fim a morte. Neste estado, precisamos desligar os nossos corpos de manifestação e o trabalho não é diferente. Somos colocados em confronto com nós mesmos e precisamos de tempo para despertar a nossa intrínseca realidade (garanto que é bem dolorido).

Agora imagine você, se com todo este trabalho efetivado pela vontade da criação, anteciparmos o desprendimento da carne com um processo de aceleração via cremação, qual resultado seria, por conseqüência, oriundo desta atitude? Estaríamos aliviados de alguma forma do confronto necessário após uma reencarnação? Não estaríamos de certa forma atentando contra um processo natural de entrega de nosso corpo emprestado a mãe natureza?

Pense ............

Para finalizar esta abordagem permitam-me a pergunta: Quem veio primeiro a ciência ou espiritualidade? O que é cientifico hoje, não foi espiritual antes de se manifestar na matéria?

Depois dessa, se deixe cremar se quiser, o problema é mais seu do que meu, não é mesmo?

Aratanan de Aracruz

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Jesus!


JESUS

Seara nossa de todos os dias!



Amamos a verdade e não temos nenhum apreço com a burrice. Parece que estamos ditando uma lei, mas na verdade a experiência tem demonstrado que a verdade sempre vençe. Já fomos confrontados por ela algumas vezes e sem nenhum peso na consciencia fomos vitoriosos nesse embate.

Há alguns meses tive a oportunidade de acessar o Talmud (livro de registros históricos judaicos) e de ler uma nova versão da história do Grande Mestre Jesus. Em que pese a imposição Católica, esta outra versão dos fatos, não tira o poder e a grande missão de Jesus, mas humaniza o mesmo enquanto vestido de carne, sem que por isso venha desrespeitá-lo.

A história tem dessas coisas, as verdades são relativas e o entendimento de uma doutrina ou enredo religioso às vezes permite, como ciência e religião humana, uma série de interpretações. É por isso que vivemos neste antro de desentendimentos, pois todos estão com um pouco da verdade, mas não com sua totalidade.

Imagine a decepção de muitos, se descobrirmos que o mestre Jesus foi casado, teve filhos, compromissos socias, fez sexo, bebeu e etc. Imagine o falso moralismo despencando frente as verdades que ainda não foram reveladas. Imagine a hipocrisia sendo jogada às traças, porque as leis naturais impõem um ritimo que não se prende a falsa modéstia humana.

Tudo isso me faz pensar de forma livre, sem preconcepções, pois vejo verdade em tudo, até nas mentiras. Somos o resultado de nossa deplorável existência. Fazemos e ditamos tudo aquilo que um dia praticamos como habitual. Nossas reminicências são a mola mestra de nossa conduta atual. Nossa mediocridade não nos deixa evoluir e fazer com que todos evoluam, pois nossa generosidade se limita ao espaço geográfico que nosso nariz aponta.

Verdade, verdade, verdade ainda te encontro. Tenho certeza que voce está em tudo e em todos e que num belo dia voce também vai estar junto a consciência dos atuais dirigentes da UMBANDA (nem vou citar outras religiões).

Aratanan de Aracruz!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O conto do Amaçi





Os astros estavam propícios, e, Preto Velho já havia determinado a colheita das ervas. “- Suncês, vão utilizar ervas solares, pode ir no mato e colher em número impar, maracujá doce, hortelã e alecrim de horta”!



Não fosse a dica, o Velho ainda completou: “- Os omi é que devem colher as ervas, e depois de colhidas elas devem ser maceradas na sombra para ficar expostas a lua nova ou crescente de um a três dias, viu misifio”!



Na data escolhida a turma do terreiro foi para a mata para a execução anual do amaçi. Que dia lindo, tudo estava dando certo. O médium chefe apesar de ser novo, possuía um caráter moral elevado e antes da saída já havia asseverado aos médiuns que se portassem com respeito quando da presença no sítio sagrado.



O trabalho teve seu início no horário de Xangô, o horário era propício para o amaçi com ervas de Oxalá, pois o horário estava sob esta influência. Iniciado os trabalhos, começou uma chuva em cima do local escolhido (uma choupana de pau a pique no meio da mata). As energias estavam que estavam, e, todo mundo se comportando bem.



Uma vez mediunizado com o Preto Velho deu-se inicio ao amaçi, a primeira lavada foi com a mão direta do médium, para que as coisas do passado fossem ajustadas, depois com a mão esquerda para que o presente também fosse ajustado.



Tudo corria bem, mas um dos médiuns questionou ao Preto Velho se ele e seu médium tinham ordens e direitos de trabalho, para fazer o amaçi em sua cabeça. O velhinho com uma risada bem faceira, ficou um minuto em silêncio e depois respondeu com a seguinte pergunta:

“-Sunçê, cortô o cabelo antes de vir para o amaçi, misifio?



O Médium respondeu de pronto: “Sim, meu Pai Velho, tenho o costume a anos de cortar o cabelo no mesmo salão e com a mesma pessoa. Sempre corto o cabelo com o Alfredo, pois não deixo mulher botar a mão na minha cabeça”.



Preto velho: “Sunçê tem certeza que o Alfredo é omi de verdade? Sunçê conhece a muié dele?



Médium: “Não, não conheço, na verdade nunca vi o Alfredo com mulher”.



Preto Velho:”E sunçê me conhece e conhece meu cavalo?



Médium: “Claro, conheço vocês dois há anos”.



Preto Velho: “Se é assim não precisa passar pelo amaçi, leva um pouco destas ervas já maceradas e pede pro Alfredo lavar sua cabeça. Quem sabe ele pode fazer alguma coisa pra Sunçê, mió do que nós, já que ele mete a mão na sua coroa todo mês pra cortar seu cabelo, num é?



Médium, já envergonhado: “Me desculpa meu velho, acho que precipitei, peço sua compreensão e peço para que o Senhor faça o rito de amaçi, por favor.



Preto Velho em silêncio lavou a cabeça do Médium e no final pronunciou a seguinte frase:



“Lavar a cabeça é fácil, isto qualquer um fais, mas lavá o cérebro é que é o difícil e isto eu tento fazer”.



Aratanan de Aracruz


Foto - Filha de Zélio de Morais mediunizada e efetivando o rito de amaçi.