terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Luxúria





Todo aquele que se deixa vencer pelas paixões, pratica atos de luxúria. Penso inclusive, que a luxúria se prende a duas regras de comportamento que são inerentes a formação do homem, pois a luxúria em alguns casos passa por padrões sociais aceitos e até mesmo incentivados. Em segunda abordagem, temos a questão da essência animal que habita o homem velho e que não deixa nascer o homem novo que precisa ser incentivado a evolução que é o objeto de nossa coletividade.

Nossos instintos pessoais e até mesmo humanos, interpretam a busca pelo prazer que dá sentido a vida, de forma ultra dissonante com a nossa verdadeira realidade coletiva. Existem sociedades que esta busca pelo prazer é um modismo social, onde as pessoas passam a buscar a realização de suas tensões, pelos padrões sociais pré estabelecidos. Sociedades machistas incutem o domínio do macho sobre a fêmea, o que é interpretado como objeto de poder oriundo de necessidades de cunho sexual inapropriada e dispensável ao gênero humano.

Somos seres espirituais em corpos físicos, não corpos físicos em seres espirituais. Nossa experiência de vida não se restringe ao desequilíbrio de nossas manifestações e sim a busca constante pelo domínio destas paixões. Quantos lares destruídos, quantas vidas desperdiçadas pela constante busca pelo prazer, o qual não se encarcera apenas em atos de cunho sexual, mas em todas as atividades que estimulam a vilania e o desequilíbrio do ser.

Ficamos deveras incomodados com os padrões de felicidade que são propagandeados socialmente, onde o ser realizado é o que mais bens materiais e acessos de prazer consegue acumular na vida. Parece que houve um processo de retroação as características essenciais do homem e até mesmo da mulher, os quais buscam de forma desmedida uma ativação de suas essências que vem contaminando a estrutura familiar que pensamos ser a mais indicada aos dias de hoje.

O excesso de sensualismo transformou os atos de atividade sexual em desmedidas buscas pela quantidade sexual e pelo domínio através da impudica busca sensorial. A dignidade humana hoje habita a linha de sua cintura, tais projeções fazem dos seres, meras criaturas em atraso perante a necessidade de evolução. Fato que vem transformando este mesmo projeto de evolução divina, em mera atividade de reajuste e busca pela melhora humana que está perdida e mau definida nos padrões globais existentes.

Esperamos fielmente que haja um ajuste nos seio das famílias e que a naturalidade que é pregada hoje em favor da excessiva busca pelo prazer, possa ser revertida de forma a fazer nascer o homem novo que sempre habitou dentro de nossos mais diletos desejos de evolução e que precisa ser resgatado urgentemente.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Religião, religiosidade ou tábua de salvação?





Pense no primeiro homem que surgiu sobre a face da terra, se é que ele surgiu sozinho. Pense nos seus traumas vivências, crenças, pensamentos, doutrinas, modos e costumes. Pense na solidão e no desamparo de ter surgido neste planeta sem que lhes fossem ditas as suas reais origens e as bases de sua constituição. Pense na falta que este homem sentia do pai ou criador que deveria tê-lo gerado, ao invés de lançá-lo em um planeta sem lhe mostrar as raízes de sua origem.

Consegiu pensar?

Então se prepare para seguinte notícia: existe muito deste primeiro homem dentro de voce. Estas questões mal resolvidas habitam seu ser diuturnamente, temos ainda muito deste homem primitivo. Nossos instintos e verdades caminham de forma silenciosa dentro desta herança genética. Ainda caçamos, habitamos e temos relações sociais muito pareceidas com as relações deste primeiro homem. Fazemos a guerra, lutamos por comida, religião, conforto social e demais mazelas de nossa essência animal da mesma forma do exemplo que foi dado.
Somos fruto desta intrincada manipulação genética, realmente somos filhos das estrelas e viemos habitar este planeta na condição de escravos de nossos destinos e deliberadamente compromissados com nossa evolução que é meramente espiritual.

Para complementar pense no fato que durante muito tempo a ciência e a religião andaram de mãos dadas, elas eram uma só manifestação dos conhecimentos terrenos e espirituais. Com a separação foi criado um novo modelo de percepção das coisas, onde o que é espiritual não pode ser científico e vice versa. Quem perde com isso somos todos nós, pois a crença ou discrença nas realizações espirituais passa sempre pelo crivo da necessidade de comprovação fática.

No que se refere a religião, criou-se um sentimento de culpa em relação a suas verdades, pois a medida que os fatos religiosos não são aceitos pela ciência, o religioso se enveredou para uma situação de eterno culpado, sentindo-se desconfortável todas as vezes que sua fé é colocada a prova, ou quando não consegue provar os atos de suas crenças. Para os cristãos a imagem do cristo crucificado passou a ser a cruz de cada um, pois por pura manipulação dos fatos aquela imagem os impele a culpa pela crucificação do grande mestre.

Nós os umbandistas criamos uma situação reversa de culpa onde o não seguir uma base ou uma transmissão oral de um determinado culto ou linha nos traz a sensação de traição das coisas que nos foram passadas e pelos compromissos que assumimos em pretéritas passagens de nossas vidas. Tudo isso nos faz ver verdades que muito das vezes nem acreditamos nelas, mas por estarmos engessados nestes compromissos, nos comportamos, como verdadeiros cristãos, apenas para diminuir o sentimento de culpa e solidão que nos foi transmitida pelo primeiro homem que habitou este lindo planeta.

Iniciar é caminhar dentro do processo evolutivo, onde após vencermos os entraves da carne, fazemos nascer o homem espiritual disvinculado desta simbiose, ciente de sua eterna caminhada em favor de si e de todos os outros que merecem o seu amor.

Falar de amor é simples, praticá-lo é o grande grande problema de nossa humanidade.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Boa Noite ô gente!!!



Se tem uma coisa que tenho aprendido na Umbanda, esta coisa é o nunca desistir, "parece" que o bem no seu devido tempo e espaço de atuação dá o ordenamento certo e eficaz para que recebamos dentro da divina lei do mericimento.

Converso muito com as pessoas e tenho visto que a desistência frente ao primeiro obstáculo é uma mácula que acompanha os desavisados das malditas paixões humanas. Parece que a fixação em certas coisas que apenas nos trazem desgosto e perda de energia, virou a moda diuturna que acompanha os seres neste grande pequeno planeta de Deus.

Querer dinheiro, mulher, poder e fama é o que dita a tendência, tem irmãos que mais parecem um bazar de novidades do que uma identidade fixa e firme em apenas um ideal - o amor ao próximo. A impressão que temos é que o mundo vai acabar se o dito cujo não conseguir um dos apetrechos citados acima. Nossa impressão demonstra que existe uma virose ou doença similar que beira a loucura e cujo fruto é a evidência pessoal. No final todos sofrem e o que é pior, a lei continua a nos entregar aquilo que mereçemos realmente.


Diante destas despropositadas palavras, as quais não passam de alevozias de um ser pensante, digo que a usura que é filha dos apegos tem dado muita rasteira por este mundo a fora, onde o final da existência ou a manifestação de uma doença mais séria, transforma grande leões de combate em gatinhos desnutridos e incapazes (Deus sabe o que faz). A algazzara se encerra quando a morte se aproxima ou a doença se manifesta.

E agora conversando com meus botões, com o velho palheiro no canto da boca, digo que ha muito, nos foi dito que nossas riquezas não pertencem a este mundo. Fico matutando, matutando e pensando na hipótese de uma outra realidade, mas infelizmente tenho que concordar que estamos aqui apenas estagiando e nos preparando para uma realidade muito maior que as nossas ignorantes condutas ainda não nos permitem vivenciar.

Enquanto isso a roda do mundo continua a girar. E a Umbanda ...

Aratanan

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Quando o dever nos chama!




Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!!!

Esta frase responde o velho questionamento que algumas mentes estacionadas em sua preguiça evolucional, sempre usam para se afastar ou se permitir um pouco de espiritualização.

Filhos do medo e do comodismo de sempre, alguns irmãos atrelados à ignorância que os acompanha há várias existências, se mantem longe do dever de espiritualização. Sempre usando das velhas e surradas desculpas, evitam a presença em suas vidas de qualquer doutrina que os faça se aproximar da essência espiritual que os acompanha, apenas para glorificar a ignorância que os acompanha.

Nos centros, choupanas e templos de Umbanda vemos constantemente um número sem fim de olhos arregalados, de caras de espanto e outras coisas mais, frente a simples manifestação do que todos nós um dia seremos – ESPÍRITOS. Nunca assistimos a tanta incompreensão de fatos que não podemos mudar em nossas vidas, dentre eles a existência de nós mesmos após o abandono de nosso corpo de carne.

Como já é por demais entendido, nosso corpo não age de forma independente, ele precisa de um combustível chamado espírito, ou melhor, da pilha de energia que o faz manifestar seus mais íntimos desejos, pois se assim não fosse seriamos apenas um monte de carne sem utilidade nenhuma. Melhor dizendo, nossas carnes me refiro se aproximam destas que usamos nos churrascos de nossas vidas, onde o Senhor Boi e o Sr. Porco a muito se foram, deixando-nos as matrizes físicas que ocuparam, para que mantenhamos nossa carne que tanto precisa de carne.

Não sei até quando, presos a dogmas de culpa e até mesmo de conforto, vamos negar a nossa responsabilidade espiritual embasada num sem número de normas religiosas que só nos afastam da religiosidade que devemos possuir para com nós mesmos. Não sei até quando, teremos que vestir a roupa suja da ignorância para negar o estado deprimente de infantilidade espiritual que possuímos. E para finalizar, não sei até quando, vamos negar a essência científica ou espiritual que possuímos, pois a ciência afastada da espiritualidade é apenas uma ferramenta dos interesses materiais e financeiros que a vilipendiam e escravizam.

Tudo isso, para no final dizermos que vale a pena se espiritualizar, ir para um terreiro, sinagoga, igreja, templo, choupana ou roça, apenas por que o outro existe e todo o sacrifício por um irmão é sacrifício por nós mesmos. Assim, vistamos nossa roupa da perseverança, coloquemos nossa guia da generosidade e façamos de nosso amor, que ainda tão pequeno, o alimento necessário a nossa obrigatória evolução coletiva.

Aratanan