segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Bafo da Cobra!



O verdadeiro sábio, enxerga sabedoria em tudo e em todos!

Mestre Ramaryon


(Fábula)
 
A cobra queria se casar, mas tinha um bafo horrível. Então ela procurou a coruja que era mais velha e experiente e lhe contou sobre o problema. A coruja dona de uma sabedoria invulgar lhe disse:


- Olha dona cobra, penso que voce precisa melhorar a sua alimentação; voce precisa selecionar o que entra em sua boca, para que o que saia, saia de forma limpa e menos agressiva.

A cobra perplexa, pensou e disse de sopetão:

- Mudar já mais, já estou acostumada em comer os meus ratinhos, passarinhos, ovos e outras guloseimas que a floresta me fornece, não posso mudar meus hábitos de forma tão rápida, pois posso até me adoeçer.

A coruja como grande sabedora de que as mudanças radicais podem virar doença, disse:

- Realmente dona cobra, penso que voce esta com a razão, primeiro precisamos mudar a sua consciência sobre os alimentos, para aos poucos mudarmos a sua alimentação e afastarmos este bafo medonho.

A cobra que não estava lá para mudanças, deu de costas e partiu para o seu hábito de sempre, comer seus ratinhos, passarinhos e outras guloseimas mais propriciadas pela floresta.

O tempo passou e um fato interessante começou a preocupar a cobra, que além de não conseguir se casar, passou também a perder os dentes, os quais tanto lhe ajudavam a se alimentar. Não fosse isto a cobra começou a se reparar e viu que já não possuia a habilidade de antes, já não conseguia caçar tão bem como na juventude. Rastejou até perto de um riacho, olhou sua face no espelho d’água e viu que o tempo passou e que ela continuava com o mesmo bafo, além de sozinha, e, agora em situação que além de conflitante lhe era de certa forma extremamente perigosa. Neste interem, se lembrou da coruja e pensou em procurá-la. Começou a rastejar e percebeu que já o fazia com dificuldade. Pelo caminho, observou que a mata onde viveu toda uma vida já não era mais a mesma. Percebeu também, que os bichos tinham mudado muiro e só ela continuava com os mesmos costumes e desejos, desejos estes que agora não mais poderia realizar. Parou pelo caminho, viu uma pedra, pensou em subir em cima dela para ver o horizonte e o fez com muita dificuldade. Quando estava sobre a pedra e de repente, um gavião passou e em um só golpe matou a velha cobra, a qual lhe serviu de alimento junto com sua ninhada.


Conclusão
É irmão, a vida tem destas coisas, todos nós possuímos o nosso bafo. Uns querem melhorá-lo, outros não. Acabamos fazendo o que nossa consciência, nos permite, coisas boas e coisas ruins. Mas só o tempo pode nos mostrar a realidade, ou seja, o abandono do corpo físico. Desde que nacemos começamos a morrer, isto é uma verdade inabalável. Os dentes caem e nossa força não é mais a mesma. Por isso voce que ainda é jovem, não espere a morte chegar para que voce faça sua mudança de paradigmas. O desencarne pode ser o gavião, o qual vai-lhe mostrar que seu corpo é e sempre será útil na manutenção do universo, mesmo que seja para alimentar os vermes após a sua morte. Por isso, acorde enquanto é tempo, procure a sua coruja (sabedoria), mude o que entra por sua boca (consciência) e de aos outros um bafo mais refinado de sua consciência.

No mundo fazemos o papel da cobra, umas escutam as corujas (sabedoria), outras apenas as ignoram, mas o tempo acaba fazendo a seleção do que é bom ou ruim para o nosso destino de cobra. Nestes atos não temos direitos de intervenção, pois a lei é imutável e o tempo também. Acorde enquanto voce pode, não se esqueça que possuímos nosso karma pessoal e subjetivo, dele não podemos fugir. Deixe de se levar pelos outros e mude o seu destino enquanto é tampo, pois o grande gavião está sempre a nos espreitar e com certeza seu bafo vai ser muito difícil de ser retirado.

Aratanan – Gosto muito de Gavião, não sei porque, deve ser por isso que criei esta fábula para voce, irmãozinho de Umbanda que anda perdido por este mundo a fora.



 

Um comentário:

Aratanan de Aracruz disse...

O bafo da cobra, tá mais atualizado do que eu imaginava.