quinta-feira, 9 de abril de 2009

Iniciação - Conto Umbandista - Parte II

(Continuação)

Para inicio de conversa, “iniciação” é um ato espiritual e subjetivo, ela acontece quando o discípulo está pronto. E me perdoem o personalismo da idéia, mas quem faz iniciação é o plano espiritual, mesmo que usando a mão de um irmão mais experiente, o qual servirá apenas e tão somente, quando for o caso, como meio de manifestação das energias agregadas a aura do iniciado.

Deve ser por isso que vemos tanto médium que se diz de iniciação, que não consegue resolver os seus problemas mais básicos. Pois digina e insígnias bordadas nas roupas não formam o caráter das pessoas, ao contrário embelezam o ego e por conseqüência tornam as pessoas viciosas e vaidosas... que pena!

Segundo que, todo terreiro de umbanda vai muito bem quando não tem dinheiro, pois é só o danado chegar, para que as coisas mudem de freqüência. Começa uma luta interna pelo “poder”, AMIZADES SÃO AÇAMBARCADAS POR INTERESSES PESSOAIS E A COISA DESCAMBA PARA A BAGUNÇA GENERALIZADA.

Terceiro que, a vaidade de alguns médiuns, os impelem para as garras do sexualismo, é só ver uma consulente com atributos físicos, que os desgraçados, começam a ver ligações de outras vidas (não é que isso não possa acontecer, mas se fosse assim o próprio plano espiritual daria o alerta, mas como surdos de pai e mãe que somos ...), amores que não foram resolvidos em outras reencarnações, vontade de dar um “pega” na moça vez que a dita está tão carente que não custa nada levá-la no bico.

Quarto que, você vai para um terreiro tão carente de informações que tudo que te dizem, parece verdade. Que tudo que te falam afeta o plano espiritual. E ... coitado dos guias, passam a ser seus sensores ao invés de grandes amigos, se transformando em executores de tudo de ruim sobre você. Como os guias sofrem!

Quinto e último, o “Pai de terreiro” não quer substitutos, quer ser eterno, nem auxiliares verdadeiros ele quer, quer cúmplices de sua deslocada insânia. E se você se destacar como médium as coisas pioram para os eu lado, pois mais cedo ou mais tarde ele vai tramar para retirar você da corrente de trabalho. E ai você se tornará um indigente, um abandonado a sorte, pois você aprendeu tudo, menos a andar sozinho por este mundo. Que decepção. Cadê sua família? Cadê sua vida? Cadê sua mulher e filhos? Cadê seu emprego e sua subsistência? Cadê sua dignidade e sua moral?

Foram para o “beleleu”. Que despreparo. Como fui tão burro. Como vou achar forças para recomeçar? Não acredito em mais nada.

E ai meus amigos, por todos estes fatos pode se encerrar um compromisso cármico. Só que com Juca as coisas foram diferentes. O astral que lhe auxiliava, formou uma corrente de incentivos para poder resgatá-lo, pois o mesmo foi expulso do terreiro e desacreditado junto com seus guias, o que é pior.

Mas a providência divina, após um período de severas intervenções, fez com que Juca recuperasse o amor próprio, indicou a ele novos caminhos, novos estágios e novas tomadas de força. E Juca conseguiu se reerguer, tomando rumo na vida. Construindo uma nova família, uma nova vida e passou a conquistar novas formas de intervenção sobre a umbanda que sempre acreditou.

E o final desta História? O final ainda não foi escrito, pois ela acontece todos os dias, onde várias pessoas são sugadas de suas vidas pela irresponsabilidade de dominadores transloucados, os quais vivem da escravização das consciências. Esta história é diuturna e se repete sempre por este mundo a fora.

Em alguns casos, como o de Juca, as coisas puderam ser diferentes, pois ele pode contar com o auxílio direito dos irmãos desencarnados. Já em outros casos, as vidas das “vítimas” são despedaçadas e não sobra muito para poder ser “costurado”, muitos se perdem no vício, na descrença e no autosuicídio. Que pena!

E você? Você se identifica com este conto? Já ouviu casos parecidos. Dê sua opinião, fale um pouco sobre o tema. Quem sabe tem alguém querendo ouvir a sua opinião e quem sabe se reerguer novamente!

“Este texto só poderá ser publicado fora deste blog, com autorização expressa do autor.

2 comentários:

Feio, véio, barbudo disse...

Saravá irmão de fé,

Essa é história de muitos médiuns, se não de quase todos. É parecida com a minha também, só que no meu caso foi muita mais branda, pois consegui escutar meus guias e minha esposa a tempo. Levei várias porradas, mas fui eu que busquei estas bordoadas e não reclamo. Hoje estou equilibrado, ainda em recuperação, dando um passo de cada vez, redescobrindo o prazer de novamente sentir a felicidade de estar em contato com meus guias na intimidade de meu singelo congá. Pedi maleime aos meus guias e a Deus e toqeui minha vida pra frente.

Alexandre

Aratanan de Aracruz disse...

Salve grande mano;

Li uma vez e não sei aonde, que esta história se repete sempre e o fruto dela é a criação de um novo terreiro. Comigo aconteceu assim. No começo dúvidas e um certo balanço na fé, depois a alegria do reencontro e a oportunidade impar de vivenciar as mesmas coisas de forma diferente. O sabor, o cheiro e os prazeres da Umbanda são diferentes depois desta prova de fogo, a qual entendo como 1ª e grande inciação.

Saravá Fraternal do mano Aratanan