quarta-feira, 20 de maio de 2009

Exú - Me engana que eu gosto!


Estava conversando com um amigo e falavamos sobre a figura do Exú na umbanda, também conhecido como guardião em diversas escolas religiosas.

Nesta conversa, meu amigo me disse que por várias vezes, no terreiro onde freqüentava, ouviu o Exú chefe do terreiro dizer que ele castigava, e, com o perdão da palavra “comia as muié do terreiro”, que era um alto graduado e que poderia até desencarnar as pessoas que fossem desafetos de seus protegidos.

Foi-me dito ainda, que o médium do citado Exú, a pouco havia se perdido pelas questões financeiras e que havia entregado o terreiro para os mais afortunados, vez que sua ignorância e medo de perder a “boca”, não o permitiam deixar de proteger estes parasitas das verdades do santo.

Para piorar as coisas este amigo me contou que o guardião do chefe de terreiro, quando baixava de verdade, pois na maioria das vezes era o médium em estado de profundo animismo que conduzia as coisas, entrava o guardião em conflito com uma serie de desmandos que aconteciam naquele terreiro.

Este amigo também me narrou que no citado terreiro os médiuns pobres e ignorantes não conseguiam muita coisa, pois o chefe do terreiro não permitia responsabilidades maiores do que as afetas a limpeza e manutenção das áreas sociais do terreiro. E o que é pior ainda, que o tal chefe de terreiro só via possibilidade de “iniciação” nos médiuns com dinheiro e posição social, estando a ralé e/ou mão-de-obra barata afeita apenas ao serviço braçal e a sustentação de pontos cantados no terreiro.

Voltando ao cerne da questão, ou seja, ao poder do Exú do dito chefe de terreiro, começamos a fazer alguns apontamentos sobre os fatos e concluímos que seria quase que impossível uma outorga desta monta para um guardião com responsabilidades tão limitadas.

Em um primeiro momento pudemos perceber que o terreiro citado, não tinha nenhuma influência sobre o meio social a que estava afeito. Que o mesmo não tinha nenhuma abrangência sobre o meio social em que estava inserido e muito menos sobre a umbanda de forma geral.

Além disso, o contexto social daquele terreiro não permitia que outras classes religiosas soubessem da atividade daquele guardião, ou se quer poderiam ser por ele influenciadas, vez que sua figura era muito importante para o grupo que freqüentava o terreiro, mas não tinha nenhuma influência direta sobre outros grupos e sobre eventuais espaços já ocupados por outros guardiões.

E para finalizar o debate, chegamos a conclusão que aquele guardião não poderia sobre hipótese nenhuma, substituir os desígnios de uma força maior a que denominamos “Deus”, pois haveria uma clara supressão de instância, onde um subordinado mandaria mais que seu chefe direto. Além do mais, seria crível perceber que um guardião teria o poder de desencarnar ou matar alguém, mas não teria poder para fomentar a melhora do terreiro e de seus médiuns de forma isonômica e menos compromissada com a exploração financeira destas incautas criaturas.

Em síntese, chegamos a uma dura conclusão de que uma pequena mentira pode ser uma grande verdade, se várias pessoas acreditam nela, e, que naquele terreiro a mentira além de bem fomentada, contava com o apoio das inconsciências ali instaladas.

E o Exú?

Conforme informações que recebi, vem o mesmo sofrendo para encaminhar o chefe de terreiro, o qual além de falsa humildade, milita na desvairada ilusão de um dia ser um grande mestre.

Paciência!

Aratanan de Aracruz – Ser igual é o grande lance!



Imagem Pierre Verger

2 comentários:

Feio, véio, barbudo disse...

Quanto mais leio livros como os de W.W. da Mata e Silva e outros mais me convenço da necessidade de estudo sistemático dos fenômenos esperíticos. As relações entre o mundo físico e o espiritual são complexas, pois afinal estamos falando de eneria. Somente por essa constatação já era de se esperar uma seriedade e humildade elevada dos médiuns, porém não é o que se vê. Devido a muitos fatores (ganância, arrogância, sexualismo) vemos a queda de muitos bons e ótimos médiuns. Contudo, o simples estudo não nos vacina contra todas estas coisas, o "orai e vigiai" tem que ser observado incessantememte. Porque todos sabem que ser médium de UMBANDA não é brincadeira, é outorga do Astral, é responsabilidade firmada e cobrada porque o dito médium recebeu no seu perispírito manipulações necessárias para tal fim...então não adianta choramingar é tomar vergonha na cara e cuidar da sua mediunidade.

Alexandre

Aratanan de Aracruz disse...

Salve Mano;

A vergonha na cara é realmente um atributo, o qual virou moeda rara no nosso meio. Parece que estamos sendo manipulados para não acreditarmos mis uns nos outros e a culpa realmene é da invigilância de alguns irmãos (fora o orgulho e etc).

Fraternalmente;

Aratanan